A Imprensa desde os tempos de Distrito
Pesquisa por Rodrigo Veríssimo
“Atendemos os interesses de Poá como verdadeiro Município e não um simples Distrito”, essa não foi apenas uma manchete, e sim um chamamento voraz no alto da capa da 3ª edição do jornal ‘Folha Nacional’, de 19 de março de 1940
A Imprensa desde os tempos de Distrito
Rodrigo Veríssimo
“Atendemos os interesses de Poá como verdadeiro Município e não um simples Distrito”, essa não foi apenas uma manchete, e sim um chamamento voraz no alto da capa da 3ª edição do jornal ‘Folha Nacional’, de 19 de março de 1940, tido como uma das primeiras publicações jornalísticas confeccionada em Poá. Ela foi concebida por Thomaz Faccini Rizzo e que o Notícias reproduziu esta mesma capa em 15/4/89.
Essa é apenas uma pequena amostra de como a imprensa poaense procurava defender os interesses da coletividade local antes mesmo de se tornar município. Além disso, dada essa proximidade em tratar desses problemas com os poderes constituídos, vários nomes que passaram pelas diversas publicações que já fecharam ou ainda permanecem com as portas abertas fizeram ou fazem parte do poder constituído municipal, especialmente o Executivo.
O próprio Thomaz Rizzo, que faleceu em 1972 aos 62 anos, por exemplo, era militante do PTB, mesmo partido do atual prefeito, Roberto Marques, que por sua vez, já publicou crônicas em jornais da cidade na década de 90.
José Lourenço Marques da Silva, eleito 1º prefeito de Poá, pelo PTB, foi proprietário do ‘Poá Jornal’, tido como primeira publicação impressa feita em Poá, em 1939. “Ele aprendeu tipografia quando estudava pra ser seminarista e montava o jornal no chão”, relembra Lorehy Novazzi, responsável pelo Abrigo Batuíra. “Ele montava, Jacintho Arias era o secretário e eu escrevia a maioria das matérias”, complementa.
O atual secretário de Comunicação Social, Fernando Felippe, teve estreita relação com este jornal por volta de 1993. Foi ele quem editou o Poá Jornal juntamente com Marques. O atual prefeito, Roberto Marques, era editorialista. Felippe diz que vê com bons olhos esta estreita relação da imprensa com o Poder: “É Importante essa experiência por que na imprensa você vê a real dimensão dos problemas da cidade e isto ajuda na solução ”.
Outro jornal editado em Poá no final dos anos 40 era o ‘Voz de Poá’, do jornalista Subhi Alexandre Maluf, que teve uma permanente circulação, além de registrar em fotos o cotidiano da cidade nessa década. Alguma dessas fotos foram reproduzidas pelo Notícias em 21/3/87. Anos mais tarde, passou-se a chamar a ‘Voz do Surbúrbio’.
O jornal mostrou claramente sua posição pró-emancipação do município, fazendo uma chamada em letras garrafais em uma de suas edições pelo SIM, para o plebiscito. Mais tarde, Maluf também foi implacável crítico ao primeiro prefeito José Lourenço Marques. Ao falecer, deixou o mais rico acervo de fotos antigas da cidade. Algumas das cópias foram cedidas ao Notícias de Poá, ou à Prefeitura.
O nome do ex-prefeito Miguel Comitre (69/73 e 82/88) também tem estreita ligação com a história da imprensa em Poá. Aos 17 anos de idade, Comitre conta que trabalhou no jornal Edição como repórter, depois foi redator chefe de “O Divulgador” lançado por Armando da Silva, da Divulgadora de Poá. Ele também foi locutor e repórter esportivo da Divulgadora e da Rádio Metropolitana (61 a 64) quando então foi eleito vereador em Poá e presidente da Câmara de Poá.
Mesmo em plena ditadura militar, em 1º/12/1973, foi lançado a 1ª edição do ‘Jornal Atividade’, que não abrangia Poá, mas as cidades vizinhas como Ferraz, Itaquá e Suzano, incluindo até Mogi das Cruzes.
O Diretor responsável do ‘Atividade’ era Silvio de Carvalho Filho, o mesmo que fundou em l982 e edita o Notícias. “Foi o 1º jornal off-set da região do Alto Tietê, relembra Silvio.“Eu, Fernando Ambrus e Sergio Lopes da Rocha estudávamos o colegial do E.E. Padre Simon e faziamos um fanzine chamado ‘O Padrão’. Ao nos formarmos, lançamos o ‘Atividade’.
Ao examinar o expediente desta publicação, nomes como Roberto Abrahão, que tornou-se anos mais tarde vereador e vice-prefeito de Poá e Pedro Campos Fernandes, ex-vereador e atual Secretário de Estratégia e Desenvolvimento, compunha a equipe de colaboradores. Este jornal durou apenas um ano e de 1974 até l977, a cidade ficou sem jornal. E para combater essa ausência, José Massa, prefeito em 1978, chamou vários jornalistas residentes em Poá sugerindo que fundassem um jornal genuinamente poaense. Dessa reunião, surgiu o ‘Comarca de Poá’. Pedro Fernandes, Aéssio Ramos Pinto, Silvio Carvalho Filho, entre outros, atuaram neste jornal.
No final desse mesmo ano, chegava às bancas a 1ª edição do ‘Novo Jornal’, jornal que permaneceu por 15 anos, com sua última edição em maio de 1993. “Mesmo com o fechamento do ‘Atividade’, continuei escrevendo, tanto no ‘Comarca’ e mais tarde, no ‘Novo Jornal’, relembra Pedro Fernandes. Em outubro de l982, Silvio de Carvalho Filho com sua experiência anterior e já formado em jornalismo, fundou o Notícias de Poá. “Quando a gente olha para a história da cidade, focando na mídia, percebe a forte influência da imprensa em Poá como um todo”
Com a evolução da informática no meio gráfico e editorial, vários títulos de periódicos circularam em Poá, e tiveram vida efêmera. Outros permaneceram.
Comunicações radiofônicas e televisivas
Poá apenas não teve destaque na área impressa, também teve destaque nas ondas sonoras irradiadas a partir de 15/11/1946 com a fundação da Divulgadora de Poá por Armando da Silva e Caetano Mero.
Benedita Geralda Prado, mais conhecida por ‘Dona Maringá’, permanceu nela por 55 anos, até o encerramento de suas atividades, em 2002. “Tenho muita saudade dessa época, ajudavamos muitas pessoas em qualquer tipo de utilidade pública”, relembra Maringá. Ela diz que o auge da Divulgadora, localizada na Praça João Felipe Júnior, foi nas décadas de 60 e 70, quando havia uma programação semelhante a uma rádio, com destaque para apresentações musicais e shows de calouros ao vivo.
A partir dos anos 80, com a popularização da televisão e das rádios FM, a Divulgadora foi perdendo aos poucos o prestígio e a audiência. “Como ninguém da família tem vocação e com a morte em 2002 do Lauro (filho dela assassinado em São Paulo) resolvi fechar”, complementa.
Dois anos após a Divulgadora sair do ar, em 2004, entrou no ar a Rádio Estância, a 1ª rádio legalizada de Poá, através de uma licença de rádio comunitária concedida pela Anatel. “Era um sonho que carregava desde a década de ’70 ter uma rádio”, relembra o jornalista Aéssio Ramos Pinto. Em 2007 outra Rádio comunitária de Poá conseguia obter autorização da Anatel, a Rádio Nova FM (Associação Arca), localizada em Nova Poá.
Já nas incursões televisivas de Poá, destaca-se a instalação em Poá da antena da TV Diário, canal 35 (UHF), para a melhor recepção desse canal na cidade e nas cidades vizinhas de Ferraz, Itaquá e Suzano.
O ex-vereador Ramon Ruiz Lopes, jornalista, também atuou em vários jornais da cidade, elegeu-se vereador por três legislaturas e foi presidente da Câmara de Poá. Além disto, também esteve entre os pioneiros do rádio, junto com Miguel Comitre, na Rádio Metropolitana AM.
Relativa influência
Nem todos os entrevistados concordam que o fato de terem militado na imprensa ajudaram a terem ingressado política. “Nem eu e o Lourenço Marques utilizamos o jornal para entrarmos na polílica, até porque ele já era bem conhecido e tinha facilidade em fazer amizades pelo fato de ter sido seminarista”, afirma Lorehy. Ambos foram vereadores do distrito de Poá na década de 40 na Câmara Municipal de Mogi das Cruzes. Em 1947, Lourenço Marques tornou-se subprefeito de Poá nomeado pela Prefeitura de Mogi.
O mesmo ponto de vista é defendido por Pedro, “São duas coisas distintas, assim como há jornalistas que jamais militaram na política, tem aqueles que adentraram na política. Eu sempre fui um político nato, tanto que fui vereador e presidente da ACIP por vários anos”.
Já Aéssio diz que é possível conciliar as duas funções, desde que não haja vínculo partidário. “Não pode haver jornalista filiado a partido político” - opinou.
Atualmente, essa fronteira tem sido tenue, até por questão de necessidade, pois a atual administração resolveu turbinar sua relação jornalística com a imprensa, com a criação da Secretaria de Comunicação em 2005, o que possibilitou um grande reforço da equipe de Assessoria de Imprensa da Prefeitura de Poá, com a contratação de jornalistas formados.