Desde o dia 12 de dezembro, nada menos que seis enchentes assolaram o centro de Poá, além de outros pontos alternados pela cidade.
Em todas as vezes, o alagamento invadiu as lojas comerciais do centro e proporcionou grande prejuízo aos comerciantes. Aqueles situados na rua Capitão Francisco Inácio, Avenida 9 de Julho e Marechal Floriano Peixoto foram os atingidos com mais voracidade pelas águas barrentas do rio.
Nunca, na história da cidade, se viu tamanha sequência de inundações no centro de Poá. A sequência de chuvas que caem há mais de 45 dias também é fenômeno nunca visto na Grande São Paulo. Tanto é assim que na capital o problema se tornou crônico.
Meio perdidos e sem saber a quem reclamar, alguns empresários filiados na Associação Comercial e Industrial de Poá, Acip, pediram intercessão junto ao governo municipal. O encontro acabou acontecendo no dia 5, onde a preocupação dos comerciantes com relação as futuras enchentes foi colocada na mesa diante do prefeito e seus assessores diretos.
A solução ainda não tem data marcada, mas desta vez, o governo estadual também está mostrando interesse em atender os municípios da Grande São Paulo. A razão é que o Tietê recebe as águas destes rios e se não há limites respeitados, não há Rio que suporte tanto volume de água sem transbordar.
A Secretaria de Recursos Hídricos está recebendo, dos municípios, relatórios de danos e propostas de soluções. É possível que, sendo ano eleitoral, o governador José Serra tenha mais cuidado em atender a região do Alto Tietê objetivamente, sem promessas falaciosas.
E sobre isto cabe registrar que o prefeito poaense atual tem nas mãos um forte argumento para trabalhar um projeto muito bem estudado, tecnicamente perfeito de maneira que, ao ser concretizado, fique para sempre na história. Mas para isto, é preciso que o atual chefe de governo abra mão de vaidade pessoal e abrace até projetos que já estejam feitos, mesmo os produzidos por seus antecessores.
À população não importa quem projetou, mas sim quem faz, se faz bem feito, se a obra foi paga a preço justo e visando o bem coletivo.
Sendo assim, é importante que a administração apresente uma solução baseada em estudos técnicos de alto nível. Quanto aos projetos já existentes, é preciso reavaliação e não simples descarte porque pertenceu ao governo anterior. O assunto é sério demais para ser tratado sob a ótica de vontades ou rusgas pessoais.