O jornal e a poesia dos tipos
O anúncio feito pela empresa editora do Jornal do Brasil de que o jornal deixará de ser impresso, traz um sentimento de luto do jornalismo brasileiro. Sem colocar em discussão a conduta editorial do JB, sediado no Rio de Janeiro, fica a sensação de que a cultura do jornalismo impresso, está cedendo terreno perigosamente para a informatização.
Há alguns anos que a produção do papel para impressão tem mostrado uma redução na produção, já que a demanda de impressos também caiu.
Este fato, por si já mostra que a leitura nas telas de computador avançou e, na contra-mão, a leitura no papel vem caindo aos poucos.
Muitos jovens ainda desconhecem o prazer que é ler um livro ou, melhor, saborear um ensinamento impresso em páginas.
Muitos deles não sabem a diferença entre interesse e intereçe ou ignoram como se escreve concessão. O universo on line traz um palavreado sintetizado, mal codificado, que judia da língua portuguesa.
A opinião também ficou banalizada. Um boato maldoso e mentiroso pode invadir as telas de milhões de internautas do dia para a noite e ter um efeito tão forte quanto vazio. A vulgarização da palavra informatizada diminuiu a importância da palavra em valor e efeito. No Orkut, Twitter, blogs pessoais, e tantos sites de relacionamento, tanto o perfil quanto opiniões ficaram tal qual uma imagem retocada. Não se onde e quando é verdadeira ou falsa !
No impresso isto não acontece completamente. A história da produção jornalística impressa já é algo que difere de tudo. No Brasil, muitos jornais surgiram como fator de resistência ao desmando, ao coronelismo.
Os jornais se revoltavam contra a injustiça, denunciavam os abusos, exigiam a honradez. Os textos eram produzidos tipo a tipo, montados em uma rama e impressos quase que manualmente, folha por folha, lado a lado, dobra a dobra.
Com o passar do tempo e o avanço tecnológico logicamente tudo foi mais ágil.
O tempo entre pensar, escrever e imprimir foi radicalmente reduzido. Também a aura poética que o a imprensa possuía ficou para trás, perdendo a corrida para a tecnologia.
O ato do JB é isolado e não reflete a realidade da maioria da imprensa escrita impressa.
Mas como em todo tipo de atividade a mudança deve ser encarada como benéfica. É preciso renovar e somar a informatização com a produção impressa. E quem ganhará com a fusão destas duas mídias é o cidadão.